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domingo, 22 de março de 2015

Procura-se

Eram 7h15 da manhã. Era sábado e eu preparava-me para sair da residência. Ia passar o fim-de-semana a casa.
Carregava comigo a mala grande. Quando chego à entrada, vejo que está um rapaz na caixa de multibanco. Dirijo-me para as portas e tento sair. As portas são pesadas, e fecham-se sozinhas. Tendo a mala grande comigo, não é uma tarefa fácil passar por elas.
Enquanto o faço, olho para o lado. Troco olhares com o rapaz. É giro (mas nada de mais), mas estou cansada e com sono. Irritada com as portas que dificultam a minha passagem com a mala. Podia ter sorrido, mas não o fiz. Desviei o olhar, provavelmente com ar de poucos amigos, por causa da mala e das malditas portas.
Começo a subir a rua, deixando-o para trás. Mas a mala não está bem, e tenho que parar para arranjar-lhe a pega. Ele passa por mim.
De seguida, percorremos um longo caminho de 20 minutos. Ele à minha frente, e eu atrás. Ambos com as nossas malas. Ele caminha como se nada fosse. Eu sinto-me como se carrega-se um corpo morto dentro da mala. Ele olha para trás, para mim, mas volta-se de novo para a frente e continua o seu caminho. 
Estamos a chegar à estação e ele volta à direita. Vai de comboio, enquanto eu sigo em frente, para a rodoviária. Fico triste porque, se ele tivesse ido em frente, significava que íamos no mesmo autocarro.
Sento-me no autocarro e arrependo-me. Arrependo-me por uma vez na vida não me ter mostrado mais simpática e sociável. 
Mas quem mandou o destino colocar um rapaz, com ar fofo e simpático, a trocar olhares comigo às 7h15 da manhã?

Depois disso, na semana seguinte, voltei a vê-lo, perto da residência,parado junto à passadeira. Provavelmente ele já nem se lembrava de mim.

E hoje, passado tanto tempo destes acontecimentos, meses, voltei a vê-lo a passar pela janela do quarto. E o arrependimento surgiu.
Não é que esteja mal, que não estou. Tenho namorado, com quem estou lindamente, com quem sou feliz, e de quem gosto muito. 
Mas "aquele" podia ter-se tornado um amigo aqui. Um amigo perfeito, a morar mesmo na porta ao lado. Mas eu não sei ser sociável, nem mostrar um olhar sedutor às 7 da manhã (nem a essa hora, nem a hora nenhuma, sejamos sinceros), nem tenho um sorriso de encantar. 
E tenho um péssimo acordar. O destino devia-se ter lembrado deste pormenor.


Sim, é ele. Tirado hoje, pela janela.

1 comentário:

camaleão disse...

Ele também podia ter ajudado com a mala. Se calhar aí já tocavam umas palavras e, quem sabe, não ficariam amigos, ou mais que amigos. ahah